sábado

O Direito Penal Subjetivo e a tese de Anibal Bruno

Ao estudarmos o conceito de "Direito Penal", nos deparamos com as definições de Direito Penal Objetivo - conjunto de normas que regulam a ação estatal, definindo os crimes e cominando as respectivas sanções (MIRABETE, Manual de Direito Penal) - e de Direito Penal Subjetivo - consistente no "jus puniendi", ou seja, direito de punir. Tais definições são consagradas pela doutrina. Uma delas, no entanto, parece-me inexata, para não dizer equivocada. Existiria, realmente, o tal "jus puniendi" do Estado? Existiria um direito - subjetivo - de punir? Anibal Bruno é um dos poucos que contesta a existência de tal direito (também José Frederico Marques se opõe ao jus puniendi do Estado). Afirma o eminente jurista que "a manifestação do exercício da Justiça penal decorre do poder soberano do Estado, do poder jurídico destinado a cumprir sua função de assegurar as condições de existência e a continuidade da organização social" (ANIBAL BRUNO, Direito Penal).
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Com razão o doutrinador. Com todo o respeito, acrescentaria que não se trata de mero poder jurídico, mas poder-dever. Vejamos. A Constituição Federal, lei suprema que submete todo o ordenamento, ao selar o pacto social, dota os indivíduos de direitos e garantias mínimos, sem os quais não há existência social possível. Sem tais garantias e direitos mínimos, o Estado Democrático de Direito simplesmente padeceria, conduzindo o conjunto dos indivíduos ao caos, numa ordem em que vigeria a lei do mais forte ou do mais poderoso. Neste sentido é que a manifestação do exercício da Justiça penal não decorre somente do poder jurídico do Estado, mas do seu poder-dever destinado a cumprir sua função de assegurar as condições de existência da sociedade. Ora, o exercício do direito subjetivo - em nenhuma hipótese - é um dever. Mesmo os direitos indisponíveis, cuja transação é vedada pelo ordenamento jurídico, podem não ser exercidos pelos seus titulares. A característica mais relevante do direito subjetivo está na faculdade que tem o seu titular de exercê-lo ou não. Teria o Estado a faculdade de exercer ou não o seu suposto direito - subjetivo - de punir? Ora, claro que não. Segundo o princípio da intervenção mínima, o Estado só deve punir, através do Direito Penal, as condutas que lesam - ou ameaçam de lesão - bens jurídicos de grande relevância social. E quais são esses bens? Ora, aqueles que, em última análise, estão previstos na Constituição Federal como direitos ou garantias individuais, sem os quais a existência do Estado Democrático de Direito restaria prejudicada, como a vida, o patrimônio, a integridade física, a liberdade etc.
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Assim, o Direito Penal Subjetivo simplesmente inexiste, uma vez que ao Estado não é dado o direito, mas o dever de punir todos aqueles que, com suas condutas, ofenderem direitos ou garantias, em última análise, assegurados constitucionalmente. Correndo o risco de navegar contra a maré, mas permanecendo fiel aos meus princípios e convicções, arrisco afirmar que possível até sustentar a existência de um direito subjetivo - individual e coletivo - à eficiente atuação do Estado com relação ao seu dever de persecução criminal, com o fim de garantir ao(s) seu(s) titular(es) a preservação de seus mais relevantes bens jurídicos. Direito - subjetivo - de punir não.

quarta-feira

Aécio de mãos dadas com o PT

Vocês sabem que Aécio é um conciliador. Ele concilia. A qualquer custo. Eis o custo:
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Cenário um – Com Azeredo como candidato tucano-
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Eduardo Azeredo (PSDB) – 24%-
Patrus Ananias (PT) – 22%-
Antonio Roberto (PV) – 9%-
Leonardo Quintão (PMDB) – 7%-
Jô Moraes (PC do B) - 4%-
Sérgio Miranda (PDT) – 2%-
Gustavo Valadares (DEM) – 1%-
Brancos/Nulos – 18%-
Não sabe – 13%
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Cenário dois – Com João Leite como candidato tucano-
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João Leite (PSDB) – 25%-
Patrus Ananias (PT) – 23%-
Antonio Roberto (PV) – 9%-
Jô Moraes (PC do B) - 5%-
Leonardo Quintão (PMDB) – 5%-
Sérgio Miranda (PDT) – 2%-
Gustavo Valadares (DEM) – 2%-
Brancos/Nulos – 17%-
Não sabe – 12%
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Cenário três – Com Azeredo, sem Patrus-
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Eduardo Azeredo (PSDB) – 26%-
Antonio Roberto (PV) – 10%-
Leonardo Quintão (PMDB) – 9%-
Jô Moraes (PC do B) - 7%-
Roberto Carvalho (PT¨) – 3%-
Gustavo Valadares (DEM) – 2%-
Brancos/Nulos – 25%-
Não sabe – 13%
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Cenário quatro – Com João Leite, sem Patrus-
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João Leite (PSDB) – 31%-
Antonio Roberto (PV) – 10%-
Jô Moraes (PC do B) – 8%-
Leonardo Quintão (PMDB) – 8%-
Roberto Carvalho (PT¨) – 3%-
Sergio Miranda (PDT) – 3%-
Gustavo Valadares (DEM) – 2%-
Brancos/Nulos – 22%-
Não sabe – 14%
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A realidade acima desmoraliza o PSDB de Minas. De quebra, deixa claro que a intervenção mineira na disputa paulista flerta com um racha no partido e com a aliança com os democratas. Não é verdade que o PSDB não tem nome para a disputa em BH. Não é verdade que a capital ficaria com o PT não fosse a aliança macabra. Esse é o discurso que veste uma manobra macabra. O que me diz isso? Os números. Se o apoio de Aécio já faria qualquer candidatura tucana em Minas viável, os números abaixo praticamente tornam a eleição de um candidato tucano em BH uma mera formalidade. Aécio é um irresponsável. Para viabilizar sua candidatura à presidência, tira dos tucanos a oportunidade de fazer um prefeito tucano em BH e dá ao PT o governo de Minas Gerais. Que líder.

No orkut 2 - A réplica de Victor e a minha tréplica

"É claro que Hayek pode dizer asneiras. Ninguém está livre de dizê-las, hehe. Quanto ao trecho, comentei com base apenas no que me foi trazido. Descolado de seu contexto, esclarecido por você, deixa de sê-lo, mas continuo discordando e explico o porquê.Quando se fala em justiça social não se está limitando a Justiça, mas especificando um campo em que pode haver atuação governamental. Ora, a Justiça latu senso é um sentimento geral da sociedade. A justiça social é um certa especificação que seria alcançada através da atuação do Estado. A justiça social é a igualdade social. Mas não a igualdade social no sentido dado pelos socialistas e sim uma igualdade material, no sentido de dar a cada um o que é seu, uma, podemos dizer, igualdade proporcional. Seria uma espécie de igualdade de oportunidades. O pobre deve ter meios para deixar a pobreza. E esses meios decorrem da atuação do Estado, já que o mercado por si só cria disparidades, concentrando capital e perpetuando a pobreza. É dever do Estado corrigir tal falha do sistema capitalista.Veja, Ravena, que a social democracia não defende intervenção em demasia, muito menos expropriação, mas a intervenção adequada a cada contexto, não podendo o Estado se afastar de suas obrigações mínimas como seguridade social, segurança, saúde, educação etc."
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Compreendo Victor. Porém, dado que a luta de classes é uma farsa histórica, o que você chama - ou a social democracia chama - de justiça social, eu chamo - ou Raymond Aron chama - busca de equilíbrio. A Social Democracia, sob o prisma moderno, atua caminhando entre liberalismo e socialismo, sempre de acordo com o contexto social e econômico. Sobre a crítica de Hayek, acho que o pensador está correto. Não existe Justiça fora da Justiça. A justiça social não é justiça, mas uma ideologia, um discurso político. Veja que não estou fazendo uma crítica ao PSDB ou aos social-democratas. Mas uma constatação filosófica. Ao delimitar o valor justiça - justiça social - a social democracia está fazendo uma opção ideológica. Veja: posso dizer, nesta perspectiva, que existe, então, uma justiça liberal. E aí, quem é realmente justo?
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O conceito do valor justiça tem sido apropriado - mal apropriado - pelos mais diversos grupos de influência: socialistas, comunistas, iluministas, liberais etc. Todos defendem a ... justiça. Disse que a social democracia, ao limitar o conceito de Justiça para "justiça social", está fazendo uma opção ideológica. Pois bem. Esta opção está ligada à leitura marxista da economia e da sociedade. Está ligada a certo desprezo pelos - supostos - efeitos deletérios do capitalismo. Aron contesta a unânimidade de tais efeitos, razão pela qual destacar uma suposta "justiça social" dentro da justiça é mero discurso político. Na verdade, a depender da sociedade, as mazelas são produzidas justamente pela falta de capitalismo. Nesse caso, o liberalismo seria o remédio. Justiça liberal? Não. Apenas a busca saudável por uma sociedade harmoniosa, próspera e economicamente estável. Isso é justiça? Não. Justiça é dar a cada um o que é seu. Agora, definir o que é de cada um já é matéria da política. Faz parte do jogo chamar tal definição de justiça.
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Chega né?, hehehe.

No orkut 1

Kadu, citando Hayek:
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"Apesar de suas boas intenções, a social-democracia moderada inglesa conduz ao mesmo desastre que o nazismo alemão – uma servidão moderna". (Hayek)
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Victor Picanço, comentando a citação:
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"Quanta asneira! Quer dizer que existe uma social-democracia radical? Servidão moderna? De quem? Do capital? Do trabalho? Da sociedade? Análise não só superficial como delinquente.”
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Meu comentário:
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Hayek pode ser acusado de tudo, menos de dizer asneiras. Não é fácil sintetizar teorias no orkut. Sempre faltarão dados, referências e conceitos importantes para dar o devido alcance das afirmações. Mas acho que posso elucidar para os colegas onde está o medo de Hayek. E o faço utilizando uma crítica terminológica. Hayek critica o termo “justiça social”, que está fortemente presente no discurso da social democracia. Já volto para a crítica. Antes, por que “justiça social”. Para o social democrata, as contradições da teoria marxista são válidas. O social democrata não nega a existência da luta de classes, da superestrutura etc. O social democrata, no entanto, despreza a revolução. Aceita o capitalismo e procura, por vias modernas, mitigar os seus – supostos – efeitos deletérios: desemprego, pobreza etc. É a justiça social. De volta a Hayek. O nobre pensador contesta a “justiça social”. Para ele, não passa de uma falsidade histórica. Era disso que, penso eu, falava Kadu. Ora, a justiça não pode ser limitada à noção do social. O que é justo é justo. A justiça que é social, por óbvio, só pode estar eliminando o justo. Ou a razão de ser do social que segue o termo justiça não teria a menor razão de ser.
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A idéia de limitação da noção de justiça em favor de um grupo previamente escolhido está no seio das críticas políticas, filosóficas e econômicas de Hayek à social democracia. Vou exemplificar para quem não compreendeu a confusão acima: o substantivo que precede um adjetivo fica sempre limitado por este, como nas expressões verde e verde claro. O justo não pode ser apropriado a priori por uma expressão que limita o seu alcance, sob pena de se estar alijando um grupo do alcance mesmo do justo. No que diz respeito à social democracia, ela flerta com sistemas que não se opõem, dado o contexto apropriado, em deixar os “privilegiados” (assim definidos pela própria noção social democrata de “justiça social”) a mercê de políticas de combate às desigualdades sociais, que sempre se traduzem num aumento progressivo de impostos (que Hayek chama de confisco ou expropriação) ou na intervenção indevida nas relações contratuais. É o que se dá, por exemplo, nas relações de trabalho. Para Hayek , o social democrata elege como “injustiçado” - em razão de uma visão de justiça dada a priori – o trabalhador, pela mesma razão que defende a supremacia do trabalho sobre o capital. Dado o esquema acima, o social democrata cria, indevidamente, um sistema de proteção que se traduz, na visão do pensador, numa injusta transferência da propriedade de um indivíduo para o outro. De quebra, prejudica a liberdade de contratar e, assim, o próprio sistema regulador do mercado de trabalho.
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A minha opinião
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Concordo com Hayek. Mas acho que o nobre pensador pouco se importou em analisar aquilo que Raymond Aron não se cansou de mostrar: se a luta de classes é uma fantasia inexistente, por outro a organização da sociedade num regime democrático não implica a inexistência de luta pelo poder. E ele se dá de formas muito diferentes, embora sejam sempre positivas. Assim, o expropriado de Hayek terá sempre a oportunidade e a expectativa – politicamente falando – de reverter o presente a seu favor, alterando as forças políticas e de poder que conduziram à injustiça sentida por ele. O mesmo ocorre do outro lado da equação. Assim, a estabilidade política, com a alternância de poder, vai equilibrando as injustiças geradas pelo sistema, de modo que quando o sistema político pende demais para o capital, a tendência é o mesmo sistema parir um governo comprometido com a proteção social. Se, no entanto, temos um sistema que não remunera devidamente o capital, com uma política de proteção social muito custosa (expropriação exponencial), a tendência é o mesmo sistema parir um governo comprometido com a liberalização da economia e redução do peso do estado. Assim, a democracia é a válvula que equilibra social democracia e liberalismo. De certo, o socialismo é que não combina com a democracia. Na social democracia, embora sua configuração flerte com o injusto e, para mim, promova expropriação e intervenção em demasia, admite a convivência com o capitalismo, razão pela qual a estabilidade entre ambos é a regra.É isso aí. Fonte: eu mesmo.

terça-feira

Ainda a vontade soberana do povo

"Prezado Daniel, devido a você ser jovem, decidi gastar tempo com aquilo que você escreve. Você recita o discurso da direita que fundamentou a criação das ditaduras militares na América Latina, por exemplo. Mas gostaria de saber como você propõe que funcione a democracia representativa se não for através da vontade da maioria. Talvez o voto censitário, que vigeu na aurora de República? (...)" - Eduardo Guimarães
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Perceberam? O experiente petralha acha que pode me salvar das trevas. Nas trevas, de certo, está quem acha que pode me salvar, hehehe. Claro que o que foi acima é uma leitura torta do meu texto. Discurso da direita que fundamentou a criação das ditaduras militares? Bebeu, mané. Que direita democrática fundamentou através de seu discurso as ditaduras na América Latina? Determinado a me passar uma lição, esqueceu de ler o que escrevi. Repito: "Não existe a tal "vontade soberana do povo" senão aquela assim definida e delimitada pelo sistema democrático que a torna realidade.”
Sabe o que isso quer dizer, mané? Quer dizer que se a tal vontade soberana do povo tende a destruir a vontade do povo ela não pode ser respeitada. Didático, agora: quer dizer que se o povo estiver com aquela vontade de alterar o código de leis que lhe garante a liberdade democrática, vai ter de ficar querendo, pois esta vontade está viciada, seja por ignorância das conseqüências, seja por debilidade mental coletiva. Ou seja, você não compreendeu que estou justamente defendendo o direito do povo ter, expressar e ver ser conduzida a sociedade em função da sua vontade contra a tal "vontade soberana do povo" que tende a suprimi-lo.

Ah! A mensagem do rapaz continua: direita enlatada e tralalá. Poupei o estômago do leitor.

domingo

A "vontade soberana do povo" não existe

Após a lição real do rei da Espanha e as recentes investidas do ditador venezuelano contra o seu povo, ouve-se aqui e acolá, sobretudo da elite pensante que passeia pelos espaços da mídia onde se travam as "melhores" discussões acadêmicas, que deve ser respeitada a "vontade soberana do povo". Trata-se a expressão com um certo rigor absolutista. Ela seria válida em qualquer situação. No caso, legitimaria a suposta escolha do povo venezuelano pela perpetuação de Chávez no poder. Ignorados seu conteúdo acadêmico e resultados práticos, a expressão empresta ao seu emissor um certo charme progressista. Afinal, boa gente de verdade, para os iluminados, está com o povo (e não pelo povo, entendem?).

Não existe a tal "vontade soberana do povo" senão aquela assim definida e delimitada pelo sistema democrático que a torna realidade. Ora, não há que se falar em "vontade soberana do povo" em sistemas autoritários. Não há que se falar em "vontade soberana do povo" em sistemas que combatem a liberdade de expressão. Não há que se falar em "vontade soberana do povo" em sistemas que suprimem a divergência e a oposição ao poder. Isso porque a própria noção de "vontade soberana do povo" nasce da liberdade de expressão, do respeito à divergência e da oposição ao poder. Tais direitos não só são o berço da tal "vontade soberana do povo", mas guardiões dela.

Assim, utilizando-se de mecanismos primários de lógica, deduzimos que qualquer "vontade soberana do povo" tendente a subtrair o código de leis que garantem a expressão e exercício de tal vontade não pode ser respeitada, mas deve ser rejeitada e combatida com toda a força e vigor.

A “vontade soberana do povo”, quando traduzida em atos que visem à destruição dos pilares da democracia, não pode ser respeitada, pois afronta as garantias constitucionais que dão sentido mesmo a elas e, ainda, submetem indevidamente a minoria. E uma democracia não se faz só pela vontade das maiorias, mas também pelo respeito aos direitos individuais das minorias. É o mundo civilizado possível. Convido os iluminados a sugerir outro melhor.

Por que a esquerda combate o filme “Tropa de Elite”?


Em 2002, quando José Padilha lançou o filme “Ônibus 174”, que trata do seqüestro de um ônibus em plena zona sul do Rio de Janeiro, a esquerda se alvoroçou. O motivo do alvoroço? Padilha teria provado através do filme a explicação esquerdista para a violência: miséria e invisibilidade social. Os engajados não perderam a oportunidade de alçar a película à condição de tratado sociológico. Padilha passou a ser apresentado pelo esquerdismo como “especialista em segurança pública”. O jornalismo “golpista e direitista” caiu na conversa mole. O próprio diretor acreditou na farsa e saiu pela mídia “contribuindo com o debate”, seja lá o que isso significa. Aqui mesmo no Mackenzie, o grupo Práxis chegou a exibir o filme. Era apresentado como “visão crítica” da realidade. Para os iluminados, o filme integra a longa lista de um tal cinema alternativo, seja lá o que isso significa (já me disseram que é um cinema com espírito "calça jeans furada”). Pouca gente viu o filme, que tem lá seus méritos. Padilha não provou a tese da pobreza como origem da violência, como afirma a esquerda, mas deu sinais de ser um excelente diretor.

Então, Padilha volta. Agora, com “Tropa de Elite” (2007). Um sucesso como há muito não se via no cinema nacional. Não lembro de ter visto um filme brasileiro tão procurado. Prova de que o que falta ao cinema nacional não são esmolas - seja para o produtor, seja para a audiência -, mas respeito, qualidade e visão de mercado. E como o filme foi recebido pelos que antes louvavam José Padilha? Como lixo fascista, conspiração da direita para impor os valores da repressão, mentira deslavada etc. O herói da esquerda virou vilão.

A pregação esquerdista a favor de “Ônibus 174” (2002) determinou o movimento contra “Tropa de Elite” (2007). Isto porque se o filme de 2002 é um tratado sociológico, o de 2007 também teria de ser visto como tal. Se o de 2002 foi defendido como verdade absoluta, o de 2007 teria de ser combatido como mentira deslavada. Se o de 2002 é bom porque mostra a suposta realidade que ninguém vê – só o esquerdista –, o de 2007 é mau porque mente sobre a realidade e estimula a violência. Já é uma bobagem considerável falar em “realidade” quando estamos tratando – ora vejam – de filmes. No máximo, a realidade dá algum sentido à ficção. Nada mais. Porém, bobagem maior é supor que a sociedade é incapaz de entender a diferença entre ficção e realidade. Como se, de uma ora para outra, o público passasse a aprovar o método do saco (quem assistiu ao filme sabe do que estou falando) só porque gostou do filme.

Boa parte das críticas ao filme mira o personagem Capitão Nascimento, que por sinal tem o mesmo sobrenome do personagem principal de “Ônibus 174” (2002). De certa forma, os "Nascimentos" - o Sandro de “Ônibus 174” (2002) e o capitão de “Tropa de Elite” (2007) – são apresentados como símbolos de um mesmo problema. Volto ao Capitão do Bope. A esquerda acredita – ou finge que acredita – que o personagem estimula a sociedade a dar carta branca à polícia, endossando, assim, truculência e tortura. Mas a verdade é que o personagem é apresentado ao público com todos os seus vícios e virtudes. O dilema inescapável é que ele, apesar da entrega absoluta ao arcabouço moral do Bope, quer deixar o batalhão. O público entende o paradoxo. É a esquerda que finge não entender. O que encanta o público no personagem não são os vícios do capitão, mas as virtudes. O que empolga o brasileiro é ver Nascimento, apesar de tudo, tratar bandido como bandido, sem condescendências, sem os limites impostos por nossa consciência culpada, como bem escreveu Contardo Calligaris. O brasileiro cansou da narrativa que procura emprestar misticismo e um ar romântico ao banditismo.

Insatisfeita com a suposta repercussão da cultura do Bope, a esquerda passou, então, a defender o que seria “a grande crítica” do filme, como se este se prestasse ao exercício primário de identificar a “moral da história”. Mais uma vez, a mídia “golpista e direitista” caiu na conversa mole. Para os iluminados, “a grande crítica” do filme é a ineficácia de se combater a violência com mais violência. Trata-se de pura mistificação. O bom de “Tropa de Elite” (2007) é justamente a ausência da tal “a grande crítica”, que sempre se revela uma doutrinação. Sem deixar de lado os preconceitos, paradoxos, as verdades, mentiras, angústias e aflições que consubstanciam a visão da polícia sobre o tema violência, o filme prefere expor nas telas imagens e impressões do combate entre uma polícia incorruptível e a criminalidade, despidas do discurso politicamente correto, à "explicação" da violência. Padilha deixou para o público as escolhas morais. Sem dizer sim à truculência da polícia, o público escolheu dizer não à cultuada visão romântica do banditismo. Enfim, o público prova que não gosta de ser alvo do adestramento sociológico promovido pelo bom mocismo da crítica engajada. Se o filme é bom, vai ao cinema, seja ele nacional ou estrangeiro.
A verdade, dura para a esquerda, é que o sucesso do filme não se explica pelo seu suposto “direitismo”, mas pelo seu não-esquerdismo. O que deixa a esquerda furiosa é que, com “Tropa de Elite” (2007), “Ônibus 174” (2002) deixa de ser uma verdade absoluta. O que a esquerda não admite é que, entre o cinema que doutrina uma moral e o cinema que simplesmente dramatiza, o público escolheu este último.

sexta-feira

A Lógica achada na Rua

Circula pela net um texto que supostamente foi escrito por Verissimo. Não sei se é ou não. Mas ele retrata o truque retórico de que se serve o petismo. O texto trata da pesquisa que concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética e tolerante que o "povo" (a pesquisa não usa o termo). Sabemos que a elite de que fala a pesquisa não é elite só pelo dinheiro que tem ou pelos produtos que consome, mas porque inserida nos círculos sociais de onde nascem as decisões políticas. É a tal elite “pensante”, que compra jornal, freqüenta festas badaladas e estudou em boas escolas. Verissimo prefere a lógica achada na rua. Explico. Em nenhum momento a pesquisa se presta às conclusões sacadas pelo petismo com glacê.
Luis Fernando Verissimo em
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Ao estabelecer que a elite é mais democrática, tolerante e ética, o estudo não conclui que: “se não tivéssemos um povo tão inferior, nossos índices sociais e de desenvolvimento seriam outros”,- mas JUSTAMENTE O INVERSO. Não fossem nossos índices sociais tão precários, nosso povo seria outro: mais tolerante, ético e democrático. Mas a lógica é aquela achada na rua, que se presta inventar – onde não existe – um ranço anti-popular, anti-povo.Claro que a pesquisa diz o óbvio: o estudo, em regra, torna a pessoa mais tolerante, mais comprometida com os meios do que com os fins. O mais interessante desta lógica perturbada é se valer de uma afirmação verdadeira para enfatizar uma falsa. Explico. No final do texto, o petismo infere das pesquisas o seguinte: “Esse povo, decididamente, não serve.”E serve? Serve um povo ignorante? Serve um povo pobre? Serve um povo no limite das suas necessidades? Serve um povo intolerante? Serve um povo que não têm freios morais nem para expressar sua ética em pesquisas de portão? Não serve. E também não serve o Estado de boas almas cheias de causas nobres para transformar o pobre ou dar estilo à pobreza. Salvar a humanidade, de certa forma, é um desrespeito à idiossincrasia. Mas a pesquisa faz outra aposta.A falsa impressão passada é a de que a ignorância e a truculência do povo estão na essência dele: imutável e irreversível - e que esta suposta essência está sujando a alva alma da elite. É a lógica achada na rua.

"O homem certo no lugar certo"

Sou só mais um entre milhões. De certa forma, o povo brasileiro sempre foi covarde, mas com vergonha na cara. O brasileiro acordou hoje mais sem vergonha, mais liso. O petismo continua arrasando nossa moral e impondo sua ética.
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Onde estão os padres politizados? Onde estão os estudantes? Onde estão as centrais sindicais? Onde estão os donos das ruas? Não vão pedir a cabeça de Renan? Não vão defender a vontade do povo?
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O senador que queria governar São Paulo - Mercadante - foi o mesmo que aceitou o papel - sem vergonha - de salvar Renan. Dizem o governismo de Renan não é novidade do petismo. É verdade. Novidade do petismo é o "renanismo" do governo. Mas tudo tem a sua razão de ser e se engana aquele que acha que a bancada da abstenção foi movida por puro compadrio. O congresso com letras minúsculas é tudo de que precisa um Planalto com letras maiúsculas. O Senada fraco fortalece Lula. O Congresso fraco fortalece Lula porque lá é que se trava o embate com as oposições.
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Renan atacou Simon. Renam atacou Peres. Duas personalidades da política brasileira que ainda honram a política. Renan atacou Heloisa Helena, de quem discordo no campo das idéias, mas admiro como líder e política. Finalmente, em sessão secreta, fechada, lacrada, muda e surda foi absolvido. Como disse certo articulista da Folha, é o homem certo no lugar certo. É a este tipo de gente que o petismo ao qual não pertencia Mercadante preta serviços? Não. Esse tipo de gente cumpre um papel relevante na história política que o petismo traçou para o país. Mercadante não foi covarde porque absolveu Renan. Foi covarde porque não resistiu ao petismo de que sempre se manteve, de certa forma, afastado. Votasse não, faria menos mal ao país. Agora, já faz parte da canalha. Parabéns senador, parabéns.

sábado

A Santa Igreja Católica coloca-se em Xeque


O apoio de certo setor da Igreja Católica ao movimento "A Vale é nossa" acirrou um sério conflito no seio da Igreja. E não poderia ser diferente. O católico sabe (ou deveria saber) que a política de batina vai de encontro à Fé Católica. Não foi por outra razão que o Santo Papa Bento XVI afirmou, em visita ao Brasil, o que segue:


[...]"Queridos irmãos e irmãs, este é o rico tesouro do continente latino-americano, seu patrimônio mais valioso: a fé em deus amor. Esta é a vossa força, que vence o mundo. Isto é o que torna a América Latina o 'continente da esperança'. Não é uma ideologia política, nem um movimento social, tampouco um sistema econômico. É a fé em deus amor encarnado, morto e ressucitado em Jesus Cristo, é o autêntico desta esperança que produziu frutos tão magníficos desde a primeira evangelização até hoje"


Ateus e não-católicos têm todo o direito de pensar o que bem entenderem sobre a Igreja Católica, o Papa Bento XVI, o cristianismo, bem como refutar a religião ou ignorá-la. O católico, no entanto, deve (eu disse deve) ter a Fé Católica como norte ético. A conduta, no seio dos que comungam da Fé na única Igreja de Cristo, deve ser pautada pelos mandamentos, pelos dogmas, que salvam o espírito das mazelas da carne. Quem não estiver interessado, esta livre para deixar a Igreja. Bispos e padres têm uma missão de Fé. Os que estiverem interessados em "salvar" pela ideologia ou pela luta de classes em detrimento da Fé na Santa Igreja Católica, em Cristo, deve deixar a batina. Não sendo assim, usa-se dos valores da tradição Católica para dar credibilidade ao ideologismo rabujento. Faz-se da batina um instrumento da antifé. A missa na Catedral da Sé - aquela que se protege da pobreza da Praça com altas e firmes cercas de aço - foi um espetáculo da vulgaridade da Teologia da Libertação. A Igreja Católica no Brasil, faz tempo, está em xeque e parece não saber como fugir da armadilha.

sexta-feira

A PETROBRÁS É NOSSA!

Parte da esquerda, a de Verissimo, olha para os lados antes de vaiar quem quer que seja para não se ver confundida com a direita raivosa e antidemocrática. Quando a classe média e certa elite se reuniram para vaiar Lula, o petismo se mostrou rápido em desqualificar os manifestantes. Certos setores do jornalismo cairam na conversa mole e passaram a ridicularizar o movimento, um dos poucos que não nasceu dos grotões da esquerda e que não desrespeitou a lei ao ganhar as ruas.
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Agora, um outro movimento, este sim nascido nos grotões da esquerda, pretende rediscutir a questão das privatizações no Brasil. O movimento em si não teria força sem o apoio do petismo. O movimento pretende reestatizar a Vale? Não. A vitória está em lançar a discussão política para o passado. De certa forma, o petismo vive de certo paradoxo ideológico. Vejam só: Diz-se que Lula ficou bravo com a decisão do partido em apoiar o movimento. Não é uma gracinha? Ele é o maior beneficiado com a bobagem: dos conservadores, ganha o elogio de freiar a ala radical do partido; dos estatistas, ganha o voto de confiança que se traduz na liderança que exerce no eterno PT das "causas nobres". Lula não é um fenômeno e um perigo por acaso. Sua sagacidade garante-lhe vencer em qualquer cenário.
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Mas voltemos ao assunto. Ora, se a moda é acabar com essa história de privatizações, porque não lançar, conjuntamente, uma campanha pela desprivatização da Petrobrás? A PETROBRÁS É NOSSA!, ou alguém aqui acha que ela não foi privatizada pelo petismo? A CAIXA ECONÔMICA É NOSSA!, ou alguém aqui acha que ela não foi privatizada pelo petismo? O BANCO DO NORDESTE É NOSSO!, ou alguém aqui acha que ele não foi privatizado pelo petismo?
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Há algumas semanas, uma marcha reuniu 15 mil trabalhadoras rurais em Brasília em protesto contra aqueles que cobram o governo lulista. Segundo os organizadores de tal ato, gastou-se cerca de 10 milhões de reais com o evento. O ato pró-Lula tem o mesmo direito de existir que um ato anti-Lula. Mas aqui há uma diferença. Os que vaiaram Lula financiaram a si mesmos, incluindo cornetas e narizes de palhaço. Os que aplaudiram o petismo foram financiados pela Caixa Econômica, Banco do Nordeste e Petrobrás.
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O petismo fez das estatais palco de política e poder. Elas servem para conquistar apoios, alocar aliados, financiar campanhas, fazer publicidade pró-governo, encomendar atos lulistas. O petismo privatizou as estatais, e sem leilão.
Em tempos de antiprivatização: A PETROBRÁS É NOSSA!

quinta-feira

O vermelho do Mackenzie também assumiu um colorido esquerdista

Vejam a questão nº 60 do vestibular do Mackenzie:

• Desregulamentação do mercado nacional
• Ampla política de privatização das empresas estatais
• Manutenção de altas taxas de juros para atração do capitalestrangeiro
• Corte de gastos governamentais destinados a serviços e programassociais
• Flexibilização da legislação trabalhista

As medidas relacionadas acima se destacaram entre as mais importantes da política econômica posta em prática ao longo dos oitos anos do governo FHC (1995-2002). Há certo consenso segundo o qual elas permitem caracterizar essa política como sendo

a) nacional-desenvolvimentista.
b) comunista.
c) neoliberal.
d) keynesiana.
e) socialista.

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Voltei. Eis o Mackenzie conservador, neoliberal, "das elites" e antiprogressista que vive na boca da esquerdopatia mackenzista. Nada mais fajuto. Nada mais fora de tempo e lugar. A questão acima pertence ao último vestibular do Mackenzie. Além de endossar algumas inverdades, a questão não passa de um “ideologismo” rabugento. Vejamos. O que se pode entender por desregulamentação do mercado nacional? Uma das críticas mais contundentes dos liberais nos tempos FHC foi exatamente o exagerado emaranhado legislativo a que foi submetido o mercado pela sanha regulamentadora do governo FHC. Vá lá que tenha havido alguma política pró-livre mercado, mas isso nada tem a ver com “desregulamentação do mercado nacional”. Pelo contrário. O governo FHC foi responsável por uma re-regulamentação do mercado. A afirmação que faz a questão é inadmissível.
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E o termo “ampla”, na segunda afirmação? Também rende um bom debate. De unânime, nada tem. A tal “ampla política de privatização das empresas estatais” não conseguiu reduzir a participação do estado no mercado nem aos patamares dos estados sociais europeus. Continua elevado mesmo para os padrões mais progressistas do esquerdismo mundial.
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O mais interessante está nas duas últimas afirmações. A penúltima diz: “Corte de gastos governamentais destinados a serviços e programas sociais”. Nada mais fajuto. O primeiro mandato de FHC é caracterizado por crescimento dos gastos sociais federais, como qualquer pesquisa minimamente comprometida com a verdade é capaz de apontar. O segundo mandato, se não significou crescimento dos gastos sociais, esteve longe do tal “corte de gastos governamentais destinados a serviços e programas sociais”. Um trabalho realizado por Jorge Abrahão de Castro, do IPEA, sobre a evolução do gasto social federal de 1995 a 2001 (pesquisem) é suficiente para colocar por terra tamanha bobagem, largamente difundida pela esquerda radical, tanto na era FHC quanto na era Lula. O Mackenzie tomar o radicalismo insano dessa gente como verdade incontestável só pode ser resultado de um ideologismo rabugento, ainda que inconsciente.
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A última afirmação é cômica. “Flexibilização da legislação trabalhista”? Onde? Quando? Nem mesmo a discussão sobre o assunto prospera no Brasil. A tal flexibilização da legislação trabalhista está longe de ter se tornado uma prática ao longo dos oitos anos do governo FHC. Trata-se de uma afirmação irresponsável.
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O vestibular do Mackenzie queria que o candidato cravasse um “C” na questão. Ao fazer isso, o aluno é obrigado a endossar inverdades e coadunar com puro – e descabido – ideologismo do vestibular do Mackenzie. Eu, se candidato fosse, entraria com um recurso contra a questão. Eu quereria anulação. As premissas falsas tornam qualquer alternativa incorreta. Comprometem a questão como um todo.
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Quem diria? A despeito do que dizem alguns, o vermelho do Mackenzie também assumiu um colorido esquerdista.

domingo

Sobre Professores, Greve, CUT, Apeoesp e a República Sindical


Nem mesmo Vargas conseguiu a proeza conquistada por Lula. Nunca o sindicalismo no Brasil foi tão pró-governo. Mais do que isso: vivemos uma verdadeira República Sindical. A comemoração do 1º de Maio deste ano, em que líderes sindicais disputavam qual das centrais sabe ser mais governista, é apenas símbolo de um estado de coisas. E esse estado de coisas atinge – gravemente – os interesses dos sindicalizados.

É o que está acontecendo com os professores admitidos pela Lei 500/74 em São Paulo. Trata-se de uma massa de mais de 160 mil trabalhadores manipulada pelas Centrais Sindicais. Trata-se de uma massa de trabalhadores a serviço do PT.

Por que afirmo isso? Porque a Apeoesp está liderando uma greve sem sentido no Estado. Ela foi anunciada, inclusive, durante as comemorações do dia do Trabalho, naquelas festas em que se cantavam as glórias do governo federal e a “nefasta” administração do governo paulista. A Associação dos Professores é contra a transferência dos professores temporários para o regime do INSS, pois com ela os servidores perderão diversos benefícios. Segundo ela, "a lei do Serra" – que cria o SPPrev - prejudica os professores. "É Greve!", conclama.

Dos fatos: atualmente, todos os servidores do Estado de São Paulo que foram contratados pela Lei 500, de 1974, contribuem e se aposentam segundo o regime de Previdência do Estado, que deve ser centralizado no SPPrev. Ocorre que o governo federal quer transferir os temporários para o INSS, seqüestrando o dinheiro da contribuição, algo estimado em R$ 15 bilhões. O governo do Estado não quer. Decidiu comprar a briga com o governo federal. Já existe um processo no judiciário acerca do conflito de que falo acima. O Governo Federal ameaça com o corte de verbas os Estados que não se adequarem à Lei Federal que obriga a transferência. Recursos para obras de saneamento básico, construção de novas linhas do Metrô etc estão sendo garantidos ao Estado de São Paulo por meio de liminares concedidas pela Justiça.

Ou seja: o governo do Estado luta contra o Governo Federal, de Lula, para que os servidores admitidos pela Lei 500/74 continuem sendo regidos pelo regime de previdência do Estado e o que faz a Apeoesp? Cala-se em relação aos fatos e cinicamente joga os sindicalizados contra o governo do Estado, de Serra.

Se a tal Apeoesp quisesse mesmo "lutar" pelos direitos dos professores estaria em Brasília, com o presidente da CUT, atual ministro do Trabalho de Lula, exigindo dele o recuo do Governo Federal. No entanto, os professores devem se preocupar, pois a entidade não fará isso. Não fará porque a agenda sindical é meramente política. Não fará porque os interesses defendidos por ela não são os dos professores, mas os do PT. Não fará isso porque o PT pauta a agenda da CUT e esta a da Apeoesp. Os professores que vão às ruas protestar contra a “Lei do Serra” são uma massa a serviço do PT e contra seus próprios interesses.

Não é demais lembrar que o Estado de São Paulo tem muito a perder com toda essa história. É briga de gente grande. Uma briga que deveria ser comprada por aqueles que foram eleitos para defender os interesses do Estado de São Paulo junto ao Governo Federal. E onde está Suplicy, o senador eleito pelos paulistanos para fazer isso? Ah, sim, cantando um rap ...

terça-feira

Jesus: "um tremendo de um socialista que discriminava os ricos e os nobres". Eis o que pensam alguns liberais. Por isso detesto rótulos.

Eis um texto que encontrei por minhas andanças pela net. É de um tal Prof. Heráclito. Não o conheço. Está na comunidade do Rodrigo Constantino. Aquele que andou tendo alguns desentendimentos com o prof. Olavo de Carvalho. Já disse que não gosto de rotulações porque acabam nos definindo por elas. Sou conservador? Depende. Sou liberal? Depende. O homem que escreveu o texto abaixo é um liberal. Não concordo com uma só palavra sua. Isso faz de mim um comunista? Claro que não. Vamos a ele. Volto depois.


"vergonhoso ! Pedi comentários de Olavo sobre Marcos 10,17 a 23 e simplesmente deletaram meu scrap e me ignoraram covardemente. Ele não tem argumentos para explicar que Jesus foi um tremendo de um socialista que discriminava os ricos e os nobres. Nesse trecho do evangelho, um rapaz pergunta a Jesus o que ele deve fazer para entrar no reino de Deus. Jesus responde que ele deve seguir os mandamentos. O sujeito diz que os segue corretamente desde que nasceu, mas Jesus então diz que para garantir sua entrada no reino divino deve doar todos os seus bens aos pobres. Como ele era rico , saiu de lá triste. Aí então, Jesus -o socialista radical diz: "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no céu". Gostaria do comentário do covarde do Olavo, comunista enrustido, como todos os cristãos são. Mas ele agiu como covarde. Sua mulher também. Lamentável".


Não sou Olavo, mas sou cristão. Não sou um comunista enrustido. Constantino já falou em fanatismo. Os há também entre os liberais. Eles costumam chamar de comunistas (ainda que enrustidos) qualquer um que não se aclimate com as suas idéias. O pensamento é o seguinte: existem os "nossos" e os outros. Veja lá Marcos 10, 19,20 e 21. Para a pergunta do jovem rico, Jesus dá como resposta os mandamentos. Mas o jovem insiste dizendo que já observava os mandamentos desde a mocidade. Nesse momento, Jesus o amou, e disse: "vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me". O jovem retirou-se triste. Jesus sabia que isso aconteceria. Por isso o amou. O jovem fora instrumento da palavra de Deus. É o que está em Marcos 10, 23. E a lição divina é que deves amar a Deus antes de todas as coisas. E estas somente depois de a si mesmo e a teus próximos. Não se condena a riqueza, mas fazer dela seu Deus. Não se condena o dinheiro, mas tornar-se escravo dele.

Rodrigo Constantino e o texto "A Carta de Dawkins". Na verdade, a educação pela fé não impede a reflexão.

Eis apenas um trecho de um longo texto escrito por Rodrigo Constantino. Através dele, faz-se um alerta contra a educação pela fé. Para ele, ela fecha as portas para a reflexão, para um pensar livre e racional. Não é verdade. Isso só ocorre onde não há liberdade. Diz o amigo:


"Dawkins diz: "Eu sempre quis encorajá-la a pensar, sem dizer a ela o que pensar". Costumo fazer o mesmo com minha filha, evitando a doutrinação e tentando estimular o questionamento. Quando ela pergunta se viramos anjos quando morremos, por exemplo, respondo que não sei, que alguns acreditam que sim e outros pensam que não, mas que o mais importante é ela não deixar de questionar, não aceitar uma resposta pronta, e também focar mais na vida que na morte.Isso é bem diferente de um pai que responde um enfático “sim”, fechando todas as portas de reflexão para uma criança ainda imatura"

Ora, evidente que a crença, invariavelmente, só pode levar o crente a responder um enfático "sim". Para ele, trata-se de uma verdade, assim como dois e dois são quatro. Educada em um ambiente com liberdade - o que se evidencia pela pergunta - a criança voltará a fazer esses questionamentos, revisitará a crença que criou o universo de valores e princípios em que vive e, claro, fará as suas escolhas, racionalmente, diga-se. Não se fecharão as portas para a reflexão. Isso é bobagem. O alerta que o pai faz ao filho para que este não coloque os dedos na tomada, ou receberá uma descarga elétrica, não impede que o filho faça suas escolhas a partir das apreciações que fizer das coisas. A não compreensão da dimensão da verdade espiritual para os crentes leva alguns a uma visão falsa de garantia de liberdade intelectual que a não-educação pela fé traria. Penso que isso é um erro. O fanatismo e a doutrinação não são frutos da educação pela fé, religião ou ciência, mas da falta de liberdade nas sociedades como um todo. Os amigos podem ver o texto completo no Blog do autor: http://rodrigoconstantino.blogspot.com/

sábado

É carnaval. Tô fora. Prefiro a costureira e o namorado dela

Não gosto de carnaval. Pronto. Visto a roupagem reacionária e conservadora. Cada um na sua, certo? Dizem por aí que o carnaval é o símbolo do Brasil, assim como o futebol e Carmem Miranda. Detesto símbolos. Eles insistem em querer nos definir. Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) também não gostava de símbolos. Preferia coisa singela, pequenas raspas de vida. Segue poesia do autor sobre o assunto. Entre contemplar o sol ou a lua, ficava com a costureira e o namorado dela.

Símbolo

Símbolos? Estou farto de símbolos...
Mas dizem-me que tudo é símbolo,
Todos me dizem nada.
Quais símbolos? Sonhos. —
Que o sol seja um símbolo, está bem...
Que a lua seja um símbolo, está bem...
Que a terra seja um símbolo, está bem...
Mas quem repara no sol senão quando a chuva cessa,
E ele rompe as nuvens e aponta para trás das costas,
Para o azul do céu?
Mas quem repara na lua senão para achar
Bela a luz que ela espalha, e não bem ela?
Mas quem repara na terra, que é o que pisa?
Chama terra aos campos, às árvores, aos montes,
Por uma diminuição instintiva,
Porque o mar também é terra...
Bem, vá, que tudo isso seja símbolo...
Mas que símbolo é, não o sol, não a lua, não a terra,
Mas neste poente precoce e azulando-se
O sol entre farrapos finos de nuvens,
Enquanto a lua é já vista, mística, no outro lado,
E o que fica da luz do dia
Doura a cabeça da costureira que pára vagamente à esquina
Onde se demorava outrora com o namorado que a deixou?
Símbolos? Não quero símbolos...
Queria — pobre figura de miséria e desamparo! —
Que o namorado voltasse para a costureira.

quinta-feira

Rodrigo Vianna é o mais novo colega de trabalho de Paulo Henrique Amorim

Tempos atrás, escrevi o que segue sobre "o caso Vianna". Atenção ao que vai em negrito. Volto depois.

Não dou crédito para latido de cachorro chutado. Sobretudo quando o cachorro foi envolvido em conversas comprometedoras com líderes de organizações criminosas. (...) O engraçado é que deu na veneta do cara sair disparando um amontoado de ilações justamente depois de ter sido demitido da emissora por manter conversas bem suspeitas com líderes de organizações criminosas, no Rio de Janeiro. Antes disso, como é mesmo?, acreditava na emissora. Aí é que entra a questão moral. Eu, no lugar de Vianna, tivesse mesmo ocorrido o que denuncia não esperava um minuto sequer para pedir a conta e sair da emissora. (...) Esperou ser ‘chutado’ para botar a boca no trombone. O entendimento implícito é que não tivesse sido demitido, Vianna continuaria a colaborar com o suposto método que denuncia. (...) Vianna nunca foi a correia de transmissão do pensamento capitalista-burguês dos Marinho. (...) Não precisou do aval da redação do JN para se envolver com bandidos. (...) Sua carta adaptou-se a tudo o que já se tinha noticiado a respeito de um suposto direcionamento editorial (dossiê Record, por exemplo). Vianna sabe exatamente o que fazer para que certas portas lhe sejam abertas.

Pois é. Depois de endossar o dossiê da Record contra a Globo, o jornalista negocia sua contratação pela?, pela? ... TV de Edir Macedo. Agora, Vianna será colega de Paulo Henrique Amorim. Dizia que a carta tinha um objetivo claro. Dizia que Vianna sabia exatamente o que fazer para que "certas" portas lhe fossem abertas. Agora, pode entrar ...

Pena de Morte para os "bandos felizes"


Do site



O nome dele é João Hélio Fernandes. Ele cometeu um crime: nasceu um privilegiado. Era um criminoso cruel que tinha a frieza de passear pelas ruas do Rio de Janeiro dentro de um Corsa Sedan, o carro da família burguesa e fétida dele. Maldito ‘bando’ feliz. Ousou e abusou. Seis anos. Seis anos desfilando por aí com o luxo e a opulência que o status de “classe média” proporcionava-lhe. Ignorando a realidade que o cercava, sem limites para imaginar que o bom era exatamente aquilo que agradava seu próprio umbigo, vivia João. Mas ele foi punido. Foi dura e exemplarmente punido. Quem planta, colhe. A dura realidade tratou de condená-lo a ser arrastado, preso ao carro do ‘bando feliz’, por 7 Km e durante cerca de 15 minutos. Sua existência foi se esvaindo pelo asfalto. Cada metro absorvendo o corpo, a carne e o sangue. Morreu esfolado. Que sirva de lição a todos "Joãos Fernandes". Que sirva de lição a toda elite branca metida a ser feliz. Alerta ao pessoal dos direitos humanos: três rapazes foram presos nesta quinta-feira pela PM do Rio suspeitos de terem dirigido o carro. A direita raivosa vai querer esfolá-los também. É uma gente perigosa. Fariam de tudo para prendê-los igualmente ao cinto de segurança e, devidamente pendurados, levá-los para um passeio pela cidade. Por 45 minutos. Quinze para cada, é claro. Fiquem a postos. Protejam o direito daqueles que são a expressão da nossa causa, da nossa tese, do nosso espírito intelectual. Afinal, João Hélio Fernandes não tinha cura, não tinha recuperação. Com sorte, em pouco tempo - de 3 a 5 anos - teremos nossos rapazes de volta.

domingo

"A seita anticapitalista e a tristeza do Jeca"

Reinaldo Azevedo
Colunista de Veja


O artigo entitulado "A seita anticapitalista e a tristeza do Jeca", do jornalista Reinaldo Azevedo, publicado na Veja desta semana, fala sobre a seita anticapitalista que toma conta do pensamento ocidental, em especial da América Latina. No texto, o jornalista desvenda o que se encontra por trás de um emaranhado de críticas, especulações e acusações infundadas implantadas cá e acolá a partir da tragédia ocorrida nas obras da Linha 4 do Metrô. Um trecho, em especial, chamou-me atenção: "A cupidez capitalista, cara-pálida, faz estações para durar, não para cair. A sede de lucro pode não inventar a penicilina, mas massifica-a. Os bilhões de dólares que a indústria farmacêutica torra em pesquisa visam, é certo, à acumulação, mas fazem antibióticos. Não pensem que estou apelando à surrada dialética, acostamento dos desvalidos de argumento: "Ah, os malvados lucram, é verdade, mas têm o seu lado bom!". Dialética não existe. Não se trata de haurir o Bem do Mal. Não há nenhuma contradição entre lucrar e civilizar. Essa parceria não é mera correlação, mas relação de causa e efeito. Se alguma trapaça responde por aquela cratera, houve uma falha mais importante do que a de engenharia: houve uma falha do sistema. A estação caiu porque algo do capitalismo, naquele canteiro, não funcionou. A natureza do modelo é a expansão, não a autofagia. Do ponto de vista do sistema, o lucro não foi causa, mas também vítima da tragédia." É isso mesmo. Culpar o lucro, a economia de material, a busca pela eficiência, o contrato, as PPPs, a iniciativa privada, o que é do setor privado em si pelo que aconteceu nas obras da Linha 4 do metrô não passa de um exercício de obscurantismo cuja finalidade é a sedimentação de uma ideologia que faz do indivíduo um subordinado mental do Estado. Para ver o artigo na íntegra, clique aqui

Agora, o "Tapa-Buracos" do PT quer ser ministro da Justiça

Ariovaldo Chaves/Ag. O Globo
Tarso Genro: o "Tapa-Buracos" pode ser mais
perigoso do que se imagina


Tarso Genro já foi ministro da Educação, presidente do PT, líder do governo, moleque de recados da campanha Lula, e, finalmente, ministro das Relações Institucionais. É o "Tapa-Buracos" do PT. Agora, ele quer ser ministro da Justiça. O homem não tem o menor apreço pela imprensa livre. Certa feita, disse que há "uma santa aliança sendo articulada em toda a grande mídia para atacar os 'avanços democráticos' do governo Lula". Defende um tal socialismo republicano e que a imprensa seja vigiada por um conselho. O "Tapa-Buracos" pode ser mais perigoso do que se imagina.