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sábado

A Santa Igreja Católica coloca-se em Xeque


O apoio de certo setor da Igreja Católica ao movimento "A Vale é nossa" acirrou um sério conflito no seio da Igreja. E não poderia ser diferente. O católico sabe (ou deveria saber) que a política de batina vai de encontro à Fé Católica. Não foi por outra razão que o Santo Papa Bento XVI afirmou, em visita ao Brasil, o que segue:


[...]"Queridos irmãos e irmãs, este é o rico tesouro do continente latino-americano, seu patrimônio mais valioso: a fé em deus amor. Esta é a vossa força, que vence o mundo. Isto é o que torna a América Latina o 'continente da esperança'. Não é uma ideologia política, nem um movimento social, tampouco um sistema econômico. É a fé em deus amor encarnado, morto e ressucitado em Jesus Cristo, é o autêntico desta esperança que produziu frutos tão magníficos desde a primeira evangelização até hoje"


Ateus e não-católicos têm todo o direito de pensar o que bem entenderem sobre a Igreja Católica, o Papa Bento XVI, o cristianismo, bem como refutar a religião ou ignorá-la. O católico, no entanto, deve (eu disse deve) ter a Fé Católica como norte ético. A conduta, no seio dos que comungam da Fé na única Igreja de Cristo, deve ser pautada pelos mandamentos, pelos dogmas, que salvam o espírito das mazelas da carne. Quem não estiver interessado, esta livre para deixar a Igreja. Bispos e padres têm uma missão de Fé. Os que estiverem interessados em "salvar" pela ideologia ou pela luta de classes em detrimento da Fé na Santa Igreja Católica, em Cristo, deve deixar a batina. Não sendo assim, usa-se dos valores da tradição Católica para dar credibilidade ao ideologismo rabujento. Faz-se da batina um instrumento da antifé. A missa na Catedral da Sé - aquela que se protege da pobreza da Praça com altas e firmes cercas de aço - foi um espetáculo da vulgaridade da Teologia da Libertação. A Igreja Católica no Brasil, faz tempo, está em xeque e parece não saber como fugir da armadilha.

terça-feira

Jesus: "um tremendo de um socialista que discriminava os ricos e os nobres". Eis o que pensam alguns liberais. Por isso detesto rótulos.

Eis um texto que encontrei por minhas andanças pela net. É de um tal Prof. Heráclito. Não o conheço. Está na comunidade do Rodrigo Constantino. Aquele que andou tendo alguns desentendimentos com o prof. Olavo de Carvalho. Já disse que não gosto de rotulações porque acabam nos definindo por elas. Sou conservador? Depende. Sou liberal? Depende. O homem que escreveu o texto abaixo é um liberal. Não concordo com uma só palavra sua. Isso faz de mim um comunista? Claro que não. Vamos a ele. Volto depois.


"vergonhoso ! Pedi comentários de Olavo sobre Marcos 10,17 a 23 e simplesmente deletaram meu scrap e me ignoraram covardemente. Ele não tem argumentos para explicar que Jesus foi um tremendo de um socialista que discriminava os ricos e os nobres. Nesse trecho do evangelho, um rapaz pergunta a Jesus o que ele deve fazer para entrar no reino de Deus. Jesus responde que ele deve seguir os mandamentos. O sujeito diz que os segue corretamente desde que nasceu, mas Jesus então diz que para garantir sua entrada no reino divino deve doar todos os seus bens aos pobres. Como ele era rico , saiu de lá triste. Aí então, Jesus -o socialista radical diz: "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no céu". Gostaria do comentário do covarde do Olavo, comunista enrustido, como todos os cristãos são. Mas ele agiu como covarde. Sua mulher também. Lamentável".


Não sou Olavo, mas sou cristão. Não sou um comunista enrustido. Constantino já falou em fanatismo. Os há também entre os liberais. Eles costumam chamar de comunistas (ainda que enrustidos) qualquer um que não se aclimate com as suas idéias. O pensamento é o seguinte: existem os "nossos" e os outros. Veja lá Marcos 10, 19,20 e 21. Para a pergunta do jovem rico, Jesus dá como resposta os mandamentos. Mas o jovem insiste dizendo que já observava os mandamentos desde a mocidade. Nesse momento, Jesus o amou, e disse: "vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me". O jovem retirou-se triste. Jesus sabia que isso aconteceria. Por isso o amou. O jovem fora instrumento da palavra de Deus. É o que está em Marcos 10, 23. E a lição divina é que deves amar a Deus antes de todas as coisas. E estas somente depois de a si mesmo e a teus próximos. Não se condena a riqueza, mas fazer dela seu Deus. Não se condena o dinheiro, mas tornar-se escravo dele.

Rodrigo Constantino e o texto "A Carta de Dawkins". Na verdade, a educação pela fé não impede a reflexão.

Eis apenas um trecho de um longo texto escrito por Rodrigo Constantino. Através dele, faz-se um alerta contra a educação pela fé. Para ele, ela fecha as portas para a reflexão, para um pensar livre e racional. Não é verdade. Isso só ocorre onde não há liberdade. Diz o amigo:


"Dawkins diz: "Eu sempre quis encorajá-la a pensar, sem dizer a ela o que pensar". Costumo fazer o mesmo com minha filha, evitando a doutrinação e tentando estimular o questionamento. Quando ela pergunta se viramos anjos quando morremos, por exemplo, respondo que não sei, que alguns acreditam que sim e outros pensam que não, mas que o mais importante é ela não deixar de questionar, não aceitar uma resposta pronta, e também focar mais na vida que na morte.Isso é bem diferente de um pai que responde um enfático “sim”, fechando todas as portas de reflexão para uma criança ainda imatura"

Ora, evidente que a crença, invariavelmente, só pode levar o crente a responder um enfático "sim". Para ele, trata-se de uma verdade, assim como dois e dois são quatro. Educada em um ambiente com liberdade - o que se evidencia pela pergunta - a criança voltará a fazer esses questionamentos, revisitará a crença que criou o universo de valores e princípios em que vive e, claro, fará as suas escolhas, racionalmente, diga-se. Não se fecharão as portas para a reflexão. Isso é bobagem. O alerta que o pai faz ao filho para que este não coloque os dedos na tomada, ou receberá uma descarga elétrica, não impede que o filho faça suas escolhas a partir das apreciações que fizer das coisas. A não compreensão da dimensão da verdade espiritual para os crentes leva alguns a uma visão falsa de garantia de liberdade intelectual que a não-educação pela fé traria. Penso que isso é um erro. O fanatismo e a doutrinação não são frutos da educação pela fé, religião ou ciência, mas da falta de liberdade nas sociedades como um todo. Os amigos podem ver o texto completo no Blog do autor: http://rodrigoconstantino.blogspot.com/

sábado

É carnaval. Tô fora. Prefiro a costureira e o namorado dela

Não gosto de carnaval. Pronto. Visto a roupagem reacionária e conservadora. Cada um na sua, certo? Dizem por aí que o carnaval é o símbolo do Brasil, assim como o futebol e Carmem Miranda. Detesto símbolos. Eles insistem em querer nos definir. Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) também não gostava de símbolos. Preferia coisa singela, pequenas raspas de vida. Segue poesia do autor sobre o assunto. Entre contemplar o sol ou a lua, ficava com a costureira e o namorado dela.

Símbolo

Símbolos? Estou farto de símbolos...
Mas dizem-me que tudo é símbolo,
Todos me dizem nada.
Quais símbolos? Sonhos. —
Que o sol seja um símbolo, está bem...
Que a lua seja um símbolo, está bem...
Que a terra seja um símbolo, está bem...
Mas quem repara no sol senão quando a chuva cessa,
E ele rompe as nuvens e aponta para trás das costas,
Para o azul do céu?
Mas quem repara na lua senão para achar
Bela a luz que ela espalha, e não bem ela?
Mas quem repara na terra, que é o que pisa?
Chama terra aos campos, às árvores, aos montes,
Por uma diminuição instintiva,
Porque o mar também é terra...
Bem, vá, que tudo isso seja símbolo...
Mas que símbolo é, não o sol, não a lua, não a terra,
Mas neste poente precoce e azulando-se
O sol entre farrapos finos de nuvens,
Enquanto a lua é já vista, mística, no outro lado,
E o que fica da luz do dia
Doura a cabeça da costureira que pára vagamente à esquina
Onde se demorava outrora com o namorado que a deixou?
Símbolos? Não quero símbolos...
Queria — pobre figura de miséria e desamparo! —
Que o namorado voltasse para a costureira.

quinta-feira

Recebi esta animação pelo Orkut. O que é bom, repassamos. Vai o link: clique aqui.

sexta-feira

Sem título. Sem comentários.

domingo














“Liberdade não apenas significa que o indivíduo tem a oportunidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de escolher. Também significa que deve arcar com as conseqüências de suas ações, pelas quais será louvado ou criticado”.( Friedrich Hayek )

quarta-feira

Graciliano Ramos e a verdade do artista ... (essa que não é arte engajada)



"Não sei por quê.
Acho que o artista deve procurar a verdade.
Não a grande verdade, naturalmente.
Pequenas verdades, essas que são nossas conhecidas". (Graciliano Ramos)

Mephistópheles de GOETHE**


Johann Wolfgang von Goethe



Eu sou Mephistópheles. Mephistópheles, é o diabo. E todos vocês são Faustos. Faustos são os que vendem a alma ao diabo.

Tudo é vaidade neste mundo vão, tudo é tristeza, é pop, é nada. Quem acredita em sonhos é porque já tem a alma morta. O mal da vida cabe entre nossos braços e abraços.

Mas eu não sou o que vocês pensam. Eu não sou exatamente o que as Igrejas pensam. As Igrejas abominam-me. Deus me criou para que eu o imitasse de noite. Ele é o Sol, eu sou a Lua.A minha luz paira sobre tudo que é fútil: margens de rios, pântanos, sombras.

Quantas vezes vocês viram passar uma figura velada, rápida, figura que lhe darei toda felicidade. Figura que te beijaria indefinidamente. Era eu. Sou eu.

Eu sou aquele que sempre procuraste e nunca poderá achar. Os problemas que atormentam os Deuses. Quantas vezes Deus me disse citando João Cabral de Melo Neto: Ai de mim, ai de mim.

Quem sou eu?Quantas vezes Deus me disse: Meu irmão, eu não sei quem eu sou. Senhores, venham até mim, venham até mim, venham. Eu os deixarei em rodopios fascinantes, vivos nos castelos e nas trevas, e nas trevas vocês verão todo o esplendor.

De que adianta vocês viverem em casa como vocês vivem? De que adianta pagar as contas no fim do mês religiosamente, as contas de luz, gás, telefone, condomínio, IPTU?

Todos vocês são Faustos. Venham, eu os arrastarei por uma vida bem selvagem através de uma rasa e vã mediocridade, que é o que vocês merecem.
As suas bem humanas insaciabilidade, terão lábios, manjares, bebidas.

É difícil encontrar quem não queira vender sua alma ao diabo.As últimas palavras de Goethe ao morrer foram: Luz, luz, mais luz!!

**Adaptação de Antônio Abujamra. Para ouvir, clique aqui.

sábado

A arte de recitar a corrupção do governo Lula

"Gin Lane" de William Hogarth

Pobreza, miséria e a aflição. Com Lula, eis o futuro que nos espera. O governo fanfarrão, incompetente assemelha-se muito com as duas principais figuras na cena acima: um vendedor de bebidas, que mais bebeu do que fez negócios e, principalmente, a mulher, com os peitos expostos e a sorrrir explicitamente, larga a sua criança, que cai sobre os trilhos do pavimento abaixo. O deleite que é seguido pela irresponsabilidade e a morte.

Lord Acton: um verdadeiro defensor da verdadeira liberdade


“... a liberdade não é o poder de fazer o que queremos, mas o direito de ser capaz de fazer o que devemos”. (Lord Acton)

Da Liberdade


Antes mesmo de falar sobre liberdade pessoal, é preciso pensar a liberdade, o que ela é. Assim como o eminente historiador inglês John Emerich Edward Dalberg Acton (Lord Acton), diversos pensadores, filósofos e políticos foram militantes da causa da liberdade no século XVIII e XIX. Um conjunto de ensaios, trabalhos, teses, manifestos e cartas foram escritas em defesa dos direitos individuais contra o avanço dos poderes estatais e do arbítrio das massas. Dizia o referido professor régio de história moderna da Universidade de Cambridge que a liberdade não é um mero arranjo social recomendado pela conveniência, mas é, ao contrário, “o mais alto ideal do homem, o reflexo de sua divindade”.

Por séculos o mundo tem se dividido por conceitos rivais de liberdade. Na prática faz muita diferença se a liberdade consiste em fazer aquilo que se quer ou aquilo que deva ser feito. Nesse sentido, podemos entender a liberdade em dois planos: o da natureza e o das pessoas. No plano natural a liberdade é entendida como a ausência de constrangimento físico, sem o que não seria possível que as coisas realizassem o que é da sua essência. Assim,

“um balão de gás sobe livremente quando nada o obstrui; uma pedra cai livremente quando nada a impede. Um cachorro é livre se lhe é tirada a coleira e pode seguir os seus impulsos”.

No plano das pessoas, a liberdade requer, além da ausência de constrangimento físico, a ausência de compulsão psicológica. Nesse sentido, a liberdade estaria limitada até o ponto em que o instinto ou a paixão compele o indivíduo a agir de certa forma. Assim é que as pessoas podem ser levadas a fazer ou deixar de fazer algo motivadas por uma recompensa ou pelo medo da dor, do castigo. Trata-se, diferente do que se pode imaginar, de o ser humano ser refém dos seus instintos naturais ou de seus apetites. “Incapazes de fugir do determinismo do instinto ou do apetite, podemos ser forçados a agir por ameaças e promessas”.

Alguns, precocemente, poderiam dizer que a liberdade significa poder agir segundo os seus próprios instintos sem que haja empecilhos, impedimentos. Trata-se de uma concepção apenas externa da liberdade, vale dizer, natural. O homem que é incapaz de fazer escolhas, deixando-se levar pelos instintos e apetites, na verdade, não é um homem livre, pois prisioneiro de seus próprios impulsos. Por outro lado, se as escolhas fossem tomadas prescindindo de motivos, se fossem completamente arbitrárias, perderiam completamente o sentido, em última análise, a liberdade seria impossível. É por esse motivo que somos educados a escolher o que é digno e bom de ser escolhido. Não se trata de impor escolhas, mas de prestigiar aquelas das quais decorra a paz social e o crescimento espiritual de quem as faz, ademais se consinto com a atração (a uma ou outra escolha) é porque a minha razão a aprova. Michael Polanyi (1981-1976), o grande filósofo da ciência, diz:

“Ao passo que a compulsão pela força ou pela obsessão neurótica exclui a responsabilidade, a compulsão por um propósito universal estabelece a responsabilidade (...) a liberdade da pessoa subjetiva fazer o que lhe agrada é regida pela liberdade da pessoa responsável agir como deve”.


Da Liberdade Pessoal


Até aqui pensamos sobre a liberdade em si mesma até chegarmos ao indivíduo livre. Nada tecemos acerca da sociedade livre. Só podemos conceber uma sociedade livre se os indivíduos que a compõe são dotados de direitos inalienáveis. Ora, se as pessoas fossem dotadas apenas de direitos conferidos pelo Estado ou pela sociedade, eles poderiam ser retirados pelo poder humano e o caminho estaria aberto para a tirania, o totalitarismo, o qual imporia os interesses de uma determinada pessoa ou grupo ao restante da sociedade.

Se por um lado há que se reconhecer a existência de direitos inalienáveis (naturais), por outro, é condição para um povo livre a participação de seus membros na elaboração das leis que os regem. Há que se possibilitar aos membros de uma sociedade a possibilidade de questionar as leis (atos de comando) que limitam as suas ações, o seu progresso. A lei, na sua mais profunda finalidade, consiste mais em limitar o arbítrio e furor do Estado do que cercear a liberdade individual. Posto isto, não se fale que, numa defesa puramente política de liberdade, é dado aos indivíduos, enquanto sociedade constituída, o direito de instituir a escravidão ou adotar uma forma de governo totalitária, ou seja, a liberdade duradoura requer o consenso, requer a democracia, mas ela deve estar baseada numa verdade transcendente, vale dizer, em direitos indeclináveis e inalienáveis, direitos que nem mesmo aos próprios indivíduos é dado deletar.

O homem que vive só está condenado a uma espécie de prisão. A convivência, a vida em sociedade é mais do que uma expressão da liberdade, de uma escolha, mas está dentro mesmo da sua essência, da sua razão de ser.

Há quem entenda que a vida em sociedade nos impõe determinadas regras de convívio, muitas vezes limitando nossa liberdade, sempre tendo como preocupação maior a manutenção do equilíbrio do corpo social e o respeito ao direito de nosso semelhante, dado que infelizmente o ser humano é dotado de momentos de insensatez e, em conseqüência, pode se tornar um desagregador dos interesses e da paz social por meio de atitudes funestas. Entendemos, porém, diferente. A vida em sociedade decorre da liberdade, pois não há liberdade na solidão. Ora, se não há liberdade, como no caso de governos totalitários, então não há que se falar em sociedade, mas de caos social.

Um dos benefícios do treinamento e da disciplina é aumentar nossa zona de liberdade interna. Pela educação e exercício desenvolvemos a motivação e o caráter que nos permitem resistir as pressões físicas e, especialmente, às psicológicas. Alguns aprendem a passar longos períodos sem dormir, a abster-se de comida, a suportar intensa dor física sem abandonar a sua resolução. Tais pessoas têm uma liberdade maior do que as outras, pois possuem uma maior zona interna de autodeterminação.

Não nos parece correta a afirmação, portanto, de que as regras de convívio que se preocupam com a manutenção do equilíbrio do corpo social limitam a liberdade, pois se o objetivo das normas é desestimular as condutas que levam a desarmonia social, então, o que temos, em primeiro lugar, são indivíduos levados por instintos, impulsos, utilitarismos ou prazeres individuais pequenos e não homens livres, e se não são livres não há liberdade a ser limitada ou mitigada, e, em segundo lugar, as regras não constituem um obstáculo, uma imposição física a ação, mas em uma desaprovação a ela, que se consumada pode desencadear conseqüências jurídicas. Assim, não se trata de limitação a liberdade, natural ou pessoal, mas de assegurá-la aos indivíduos e, por conseguinte, assegurar a própria sociedade.

A norma, em si mesma, não constitui uma objeção física a conduta. Assim, a norma não limita a liberdade natural, vale dizer, aquela que se entende pela ausência de constrangimento físico. No que diz respeito a liberdade no seu plano mais alto, o pessoal, a norma consiste na reprovação, que pode ser moral ou não, a determinada(s) conduta(s). Nesse sentido, ela não impõe, no seu mais estrito entendimento, a escolha por uma ou outra conduta, posto que o indivíduo pode consentir com a reprovação ou não. A norma não limita a liberdade de escolha, mas, em última análise, revela o que é bom ou digno de ser escolhido, ou melhor, o que não é. Traduz-se, como se vê, numa reprovação.

As condutas reprovadas pelas normas elaboradas em uma sociedade são aquelas que derivam de um cerceamento da própria liberdade, seja porque o indivíduo que as adota fora levado por impulso, seja porque fora arbitrário e a escolha por elas tenha prescindido de motivos sociais.

O objetivo do direito é a garantia da liberdade mesmo quando ele prevê, para quem o desrespeita, uma pena “privativa de liberdade”. A restrição a liberdade, a que se refere principalmente o direito penal, é a liberdade natural e não pessoal, posto que não se é retirado do indivíduo a liberdade de escolha, mas, por um lapso de tempo determinado, é colocado ao indivíduo constrangimentos físicos a certas condutas que o indivíduo pretenda adotar por escolha ou não. A liberdade, com o cárcere, é, assim, mitigada ou limitada, mas não totalmente retirada do indivíduo.

Arnaldo Quirino de Almeida entende que a liberdade pessoal sempre foi um dos atributos mais importantes do Homem. O autor considera que toda a formação da Ciência do Direito sempre teve como uma de suas bases a proteção da liberdade pessoal. “É da natureza do homem nascer livre”, diz. Todavia, observa o professor Quirino, essa liberdade parece não ser absoluta, já que como membro de uma sociedade civilizada é natural que a mesma seja restringida em determinadas situações, previamente firmadas pelo corpo social; essa restrição a liberdade pessoal é um mau necessário para que haja equilíbrio e respeito aos direitos de cada componente da sociedade considerada, e assim, impossibilitando que fiquemos a mercê de arbitrariedades ou escravos do mais forte.

Entendemos, com todo o respeito ao nobre professor, que a liberdade pessoal não fica restringida em nenhuma situação nas sociedades. No que diz respeito ao homem, que é um ser racional, aquele que tem as suas ações orientadas pelo impulso ou pelo utilitarismo não é livre, mas prisioneiro dos seus instintos primitivos ou de suas ambições. Assim, o que há é a proteção dos indivíduos contra o arbítrio que encontra espaço para se manifestar na liberdade natural e não pessoal. A restrição a liberdade pessoal só existe no totalitarismo, no despotismo, povos nos quais não há sociedade, mas caos social e medo.

A filosofia de Hayek se fundamenta na consideração da liberdade como entidade inseparável da responsabilidade.

“Liberdade não apenas significa que o indivíduo tem a oportunidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de escolher. Também significa que deve arcar com as conseqüências de suas ações, pelas quais será louvado ou criticado”.

Vemos que o pensamento de Hayek vai além da consideração pequena de liberdade, na qual se incluiria a liberdade de agir sem limites, fazendo incluir na sua essência a noção de responsabilidade, portanto, de razão. Este elemento na liberdade dá razão a separação entre a liberdade pessoal, pensada, refletida e entendida como condutas que decorrem de escolhas motivadas pelo digno, pelo bom, diferente da liberdade natural, entendida como condutas que derivam do instinto, da impulsão, do irracional ou da escolhas motivadas pelo não digno, pelo mau.